olá, meu querido

olá, meu querido
toda essa confusão e eu não me sinto responsável se quer pela parte que me toca
que alívio 
tu me tocaste
estou inconsequente
e quem pode provar que isso não é viver? quem paga o preço de não ousar viver?
desde aqui pra todas manhãs que me caibam
não tem mais aquela sensação de edredom enrolado 
as verdades que eu conhecia
o modelo que eu ansiava

tu me tocaste 
foste um portal e por esse mesmo vão tu se vai
ou eu
ou o "a gente" que tem lugar agora 
não na gramática convencional 
mas na linguagem pulsante dos corpos
a língua viva

quem protagoniza uma partida?
quem se deixa ir, quem se deixa levar?
o "até a próxima", que vira matéria de preencher a lacuna que fica?
ou quem te recebe na chegada pra inaugurar saudades?

tu me tocaste
não há dúvidas que sou mais livre do que nunca
até mesmo no vão que há entre teus braços pra brincar de ser tua
espaço que não tem limite ou regra
é da vastidão das salas por onde meus olhos sempre te procuraram
como se naqueles momentos tu fosse uma crença, a minha reza
e meu coração pudesse ser desquebrado pelo mar
ou te fazer viajar à lua
com o empenho de uma craze bem aplicada

meu querido, não tenha dúvida
tu me tocaste
o amor vem como um louco 
e eu desejo sorte e vastidão pra todos os próximos como nós



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