desatina

sem filtro sem vergonha o rosto que experimenta uma nova dimensão as rugas encaixadas a cintura orgulhosa pernas de movimento braços de adormecer desempregada solteira  desapaixonada sem saber onde é casa qual é o ir qual é o vir em qual cidade me perco o que o oceano separa

sem sutiã, sem foco
desejo melancólico, alegria frígida
o momento mais demorado do piscar é entre uma pálpebra e outra

desacreditar é uma dádiva do zero absurdo e absoluto

sem a idade dos sábios, perdendo a hora de já ter entendido
o limiar do tempo de abandonar perguntas, silenciar respostas
perder a parada do lugar onde eu deveria chegar

pensei que o que queria tinha nome
e me deparei com pronomes oblíquos, sujeitos tortos, verbos ermos, adjetivos sobrestimados

agarrada a um vasto nada eu lamento por quem espanca o relógio na ânsia da batida pelo momento certo

é como se todas as vezes que eu me senti paralisada frente à imensidão do mar eu seguisse reto e atônita

um beijo de despedida às expectativas
um abraço de consolo às frustrações
é tudo carne, osso e coração atravessando ombros

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