depois do banho quando a umidade colava pela parede alguns pêlos e eu na angústia que se materializa num banheiro pequeno tentava enxugar algo que não fossem lágrimas em busca de alento entendi naquele momento que alguns daqueles cabelos ainda eram de você essa cena descrita em poesia é pra tentar expressar a agonia do segundo que se entende que o presente já tem data pra deixar de acontecer e ninguém se presta a vir informar que em poucas horas tudo vai mudar não são só fios no banheiro mas também os cheiros que vinham das cafungadas estendidas pelos nossos dias e nucas dando lugar a esse aroma ocre do nunca mais vai acontecer
um cheiro vazio ecoa como um ping pong entre as paredes e de tão fétido me deixa com sede disso que eu já tive só pra nunca mais ter
Nenhum comentário:
Postar um comentário