sentada na parada viajando às badaladas rimando sem querer.
transeuntes saem como foliões da saúde do consultório do nutricionista, exibindo a última moda fitness. uma vez um velho, que eu quis que fosse um sábio, me disse que o mal do vício é fruto da nossa cabeça. há justificativa pra tudo a partir do momento em que é feito.
segundo a televisão e as capas de jornal que educam para o medo e para a não interação social eu jamais deveria ter conversado tanto com esse rapaz latino americano sem dinheiro no banco que chegou pedindo um cigarro e oferecendo um gole de cerveja.
me sinto premiada com a sensibilidade de não temer e com a beleza do repúdio a estes pedaços de papel e lcd que tentam nos convencer de uma ridícula sobrevivência. aceito o gole e ainda saio rebolando na hora de virar e entrar no ônibus. não é um desperdício.
todos palhaços seguem correndo em torno do picadeiro controlando os batimentos cardíacos com uma máquina sufocadora de braço. quanto a mim: o moço da cerveja é pouca coisa mas tem tantas outras que sinto o coração arrebentar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário